Perfil DeMolay: Abner Tofanelli – Capítulo “São José do Rio Preto” n.° 034

Publicado em 30/05/2018 e alterado em 20/05/2018 | Categorias: Institucionais, SCODB | Publicado por: 90237

Natural de Santa Fé do Sul, na Região Noroeste de São Paulo, o Irmão Abner Tofanelli saiu de casa aos 16 anos e foi para São José do Rio Preto, inicialmente com o objetivo central de estudar como bolsista no pré-vestibular de uma Faculdade para conquistar seu sonho, cursar Medicina. Aos 12 anos, ainda em sua cidade natal, conheceu o violoncelo, por meio do “Projeto Guri”. “Desde quando conheci o instrumento, me apaixonei”, relembra o jovem músico. Hoje, com 18 anos de idade, Abner mostra-se extremamente grato a música. “Tudo aconteceu muito naturalmente. Costumo dizer que a música me escolheu, pois foi ela que me abraçou quando eu tinha outras pretensões e hoje, com 18 anos, me fez ser um jovem com experiências maravilhosas”, revela.

Iniciado em 2016 no Capítulo “São José do Rio Preto” n.° 034, o Irmão Abner conta que sua história com a Ordem DeMolay foi um tanto curiosa. “Eu conhecia a Ordem desde muito antes de iniciar, por conta da relação bem próxima que cultivava enquanto membro do Interact Club.  As duas instituições realizavam, em parceria, projetos relacionados à filantropia, por exemplo, aqui na cidade”. Antes de ser iniciado, Abner já havia tentado ingressar na Ordem por três vezes. “Olha, eu fui persistente viu, pensei até que não era pra ser, porque de todas as vezes alguma coisa dava errado. Em uma delas eu estava com minha iniciação marcada e não pude ir porque eu tinha mudado de cidade, mas depois deu tudo certo. Sou muito feliz por fazer parte também dessa Oficina”.

Em 2016, tive a oportunidade de conduzir a sindicância do Irmão Abner. Naquele momento, ele já demonstrava suas habilidades musicais e sua mente cheia de ideias. Procurava despertar nos Irmãos maior capacidade de oratória, por exemplo, conduzindo desafios que visavam a melhoria deles, nesse sentido. No segundo semestre de 2017, ocupou o Cargo de Hospitaleiro da 65ª Gestão Administrativa do Capítulo, sempre dividindo seu tempo entre a música e as atividades capitulares”, conta o Irmão Alan Fabrício Stefanini Mendonça, membro do Capítulo.

Em 2018, no 25º Congresso Nacional da Ordem DeMolay (CNOD), que ocorrerá no dia 08 de setembro, em Ribeirão Preto/SP, Abner será o responsável por coordenar e participar da Abertura deste que é o maior evento da Ordem no Brasil.  Artista de rua, começou a apresentar-se no Calçadão de Rio Preto, em sua cidade, inspirado pelo músico Messias Paixão. O primeiro encontro dos dois se deu quando Abner voltava de uma aula na Escola de Música e Belas Artes da Cidade, no mesmo local que ele se apresenta até hoje “Eu nunca tinha visto ninguém tocando daquela forma, na rua. Achei incrível. Fiquei assistindo por uns trinta minutos e quando estava indo embora, ele me chamou e pediu para ver o violoncelo. Estava morrendo de vergonha”, relembra.

A partir deste primeiro contato, o Irmão Abner Tofanelli e Messias Paixão improvisaram uma primeira música que marcou o início de uma parceria entre eles. “Nessa primeira música uma das cordas do violino dele estourou. Ele me explicou que teria que comprar outra imediatamente, já que a noite ele tocaria em um evento e me deixou ali em seu posto. Eu estava com muita vergonha porque nunca tinha tocado num lugar tão exposto, mas foi um momento inesquecível, as pessoas ficaram encantadas, pediam pra tirar fotos e tudo mais, acho que nunca tinham visto um instrumento como o violoncelo, e eu, um público tão carinhoso e carente de música. Quando ele chegou e abriu a caixinha vimos que havia R$ 30,00. Foi incrível, pois estava fazendo o que eu mais amava e as pessoas estavam incentivando e contribuindo voluntariamente”, conta sorridente. A parceria durou aproximadamente cinco meses. “Ele se mudou para o Rio de Janeiro e eu continuei sozinho fazendo esse trabalho por aqui, e por várias outras cidades do País. Já se passaram dois anos da melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida”, conta.

Com um repertório curiosamente eclético, o jovem músico mostra a versatilidade do instrumento com melodias que vão do clássico ao funk, passando pelo rock e pelo pop também: “Meu repertório é feito para agradar a vários públicos diferentes e eu busco adaptar os gêneros ao evento que estou”.

Um episódio marcante, que estampou as páginas de vários jornais em todo país, foi o encontro inusitado dele com Steven Tyler, líder da banda norte-americana Aerosmith. “Tinha ido ao Rio de Janeiro para o ‘Rock in Rio’, na verdade. Um dia antes do show e eu estava sem muito que fazer e resolvi ir ao Shopping Leblon para tocar. Em determinado momento estava tocando uma música do Ed Sheeran quando notei uma movimentação diferente, mas não consegui ver exatamente o que era. Segundos depois o Steven chegou do meu lado, justamente na hora em que a música chegava ao refrão, ele sorriu pra mim e começou a cantar”, relembra Abner. “Foi inacreditável. Eu sempre assisti vídeos dele cantando com artistas de rua pelo mundo, nunca imaginei que teria essa honra. Ao final ele ainda me deu R$ 50,00 e autografou meu Violoncelo”, nos revela com sorriso na voz.

Muito engajado, Abner busca também sempre estar atuando em prol da sociedade, seja por meio das instituições a qual participa ou por meio das simples oportunidades que encontramos no dia a dia. “Desde criança sempre vi a desigualdade de perto. Quando me tornei artista de rua isso foi potencializado – tocava na praça para todo tipo de pessoas, de empresários a moradores de rua – isso sempre me chamou a atenção e por isso sempre tento ajudar a quem necessita”, conta.

Do micro, ao macro, Abner conta que quando iniciou seu trabalho na rua, teve problemas com a fiscalização da Prefeitura. “Notando essa dificuldade, que não era só minha, elaborei um projeto de lei que visava regulamentar as atividades dos artistas de rua da cidade e enviei à Câmara dos Vereadores. O projeto foi aprovado e transformou-se na Lei 055/2017”.

Outro capítulo importante na vida dele foi sua participação no Parlamento Jovem Brasileiro (PJB), programa anual da Câmara dos Deputados que leva jovens do ensino médio de todo o país a conhecer e vivenciar a vida de um parlamentar. “Nós representamos a juventude no Parlamento. Funciona basicamente como uma instância abaixo da Câmara, todas as nossas Leis aprovadas aqui sobem para o Plenário, como sugestão de projeto. Hoje no País existem várias Leis em vigor que vieram do Parlamento Jovem”, explica. Abner tomou posse em Brasília, como Deputado Federal Jovem da 12º Legislatura do programa, oportunidade em que discursou na tribuna da Casa com uma fala impactante que coleciona milhares de visualizações na Internet.

 

Seu carisma inegável, somado a seu estrondoso talento e a sua imensa criatividade, vez que ele é conhecido por “democratizar” o acesso da população ao Violoncelo – que é tido como um instrumento ainda muito elitizado – vem levando o jovem a locais em que, segundo ele, talvez nunca chegasse a conhecer se não fosse pela música. “Desde quando saí de casa, aos 16 anos, todas as mudanças da minha vida foram acontecendo naturalmente, a música nunca me decepcionou e nunca me arrependi. Cheguei a adotar como filosofia de vida a música ‘Deixa a Vida me Levar’, do Zeca Pagodinho”, revela Abner, que coleciona participações em programas de quase todas as emissoras brasileiras, como o Programa do Ratinho, do SBT, o Fantástico, da Globo, e o Balanço Geral, da Record TV, por exemplo. Além de já ter tocado com cantores de reconhecimento como Sérgio Reis e Zé Neto e Cristiano.

Oportunidades incríveis, como a revelada com exclusividade para esta matéria. Trata-se do talk-show “E Agora? Com Abner Tofanelli”, que estreará em maio na TV local de São José do Rio Preto, o primeiro programa deste gênero produzido no interior do estado. “É um leque enorme que se abre, desafios e responsabilidade muito grande… Nunca imaginei que iria apresentar um programa de TV, mas estou muito entusiasmado com o programa pois ele mescla tudo que eu busco e represento, une pessoas, humor, política, música e também ações filantrópicas. Minhas primeiras entrevistadas foram a MC Loma e as Gêmeas Lacração”, conta, sorridente. Como exemplo, Abner também cita o quadro “Tocando Corações” que entregará todo mês um instrumento musical para pessoas carentes da cidade, buscando despertar, nas comunidades, o gosto pela música.

Os próximos meses ainda reservam muitas novidades para ele e seu público. O jovem, que viaja nesse mês para palestrar em Fortaleza – CE, lançará, no segundo semestre deste ano, seu CD instrumental, com vários estilos musicais interpretados por ele no Violoncelo. Além disso, uma produtora está desenvolvendo um Documentário sobre a vida e as histórias deste engajado músico.

Desde quando iniciei, a Ordem DeMolay teve uma influencia muito positiva na minha vida. Toda família maçônica – os tios e tias, os irmãos – me acolheram com muito carinho, eram de fato minha família ali em São José do Rio Preto. Certa vez uma Loja (Loja Ágata Riopretense) se juntou e todos os tios contribuíram para me dar uma caixa de som para que eu pudesse tocar em eventos”, relembra emocionado. Abner conta que sempre que viaja para outros estados para tocar busca conhecer novos Capítulos. “É incrível, sempre sou surpreendido pela hospitalidade dos Irmãos nas cidades que visito. Sempre me oferecem hospedagem, alimentação, etc. Sou muito grato a tudo isso”.

Quando perguntado sobre uma mensagem que desejaria deixar aos Irmãos, Abner respondeu: “Você é o principal protagonista dos seus sonhos! Nunca deixe ninguém te diminuir pelo fato do seu sonho ser ‘grande’ ou ‘pequeno’ demais, afinal, o que é um sonho grande ou um sonho pequeno? Você tem que fazer de sua profissão o que te faz sentir-se bem consigo mesmo e não tenha medo de mudar quando for necessário. Hoje sou muito feliz e realizado sendo artista de rua. O fato de não ter cursado Medicina nunca me diminuiu em nada referente ao sucesso profissional. Qualquer sonho é importante. Qualquer profissão faz a diferença e pode mudar a vida das pessoas. Costumo dizer sempre em minhas palestras: procurem se aproximar ao máximo de pessoas e instituições que mudam o mundo. Mudar o mundo não é loucura, nem utopia, mudar o mundo é justiça, a Ordem DeMolay luta por essa justiça!