Perfil DeMolay: Marcelo Serqueira – SCODB

Publicado em 23/04/2018 e alterado em 24/04/2018 | Categorias: SCODB | Publicado por: 90237

Sabe quem responde suas solicitações capitulares, emite decretos, despacha documentos, e manda sua CID bonitinha para o GCE do seu estado? Ele mesmo, Marcelo Serqueira, nosso irmão Sênior DeMolay que trabalha na sede do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

 

Quem entra pelo futurístico elevador do edifício 41, na Rua México, não imagina a importância que aquele lugar têm para milhares de rapazes brasileiros. O escritório do décimo andar é discreto, apenas um emblema de cinco centímetros colado abaixo do olho mágico da porta. É ali que funciona a sede do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, o SCODB, desde o ano de 2012. Um vestíbulo, um banheiro, uma copa, uma sala de arquivo, a sala da Loja DeMolay e a sala da Secretaria são os espaços onde correm todos os trâmites administrativos e legais dos Capítulos, Conventos, Cortes, Clubes, Colégios, Távolas e Preceptórios de nossa organização paramaçônica juvenil. Ali, estão aquartelados Auri Gomes e Marcelo Serqueira, que possibilitam o funcionamento da sede do SCODB.

As atividades de Marcelo no dia-a-dia envolvem uma grande organização, porque o volume de serviço é muito grande, e ficaria prejudicado caso não houvesse rigor no método. Logo cedo, ele verifica o SISDM, para a existência de protocolos, que são em seguidas processados. Há um dia na semana para emitir as CIDs, outro para enviá-las pelo correio aos Grandes Capítulos Estaduais e Distrital. Há um dia para cuidar das honrarias, outro para despachá-las. E assim também para os decretos, documentos, diplomas. No Brasil, temos quase quatro centenas de Capítulos regulares. E mesmo os inativos demandam algum tipo de serviço, a respeito de informações, reativações, transferências, vários itens que passam por Serqueira no cotidiano.

Para ele, que começou a trabalhar com a Ordem em 1983, isso já se tornou rotina. Na época, com 15 anos, Marcelo trabalhava para o Supremo Conselho do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo e Aceito, organização que chegou a ser encabeçada pelo Tio Alberto Mansur, que ocupou o cargo de Soberano Grande Comendador. Marcelo entregava documentos, pagava boletos em bancos, realizava cobranças e outras tarefas similares. Depois de 1986, o rapaz continuava como funcionário da Maçonaria, mas foi cedido para trabalhar no SCODB, que já havia sido constituído havia um ano. Com alguns intervalos como funcionário, ele trabalha para a Ordem DeMolay há mais de trinta anos. Quando Serqueira foi contratado pelo SCODB, o Supremo do Grau 33 não quis se desfazer do funcionário de confiança: “o Tio Mansur quis que eu trabalhasse para a Maçonaria durante o dia, e para o SCODB durante à noite. Eu falei: ‘Vou passar a minha vida toda aqui dentro? [risos]’. Mas acabei ficando aqui”, conta ele.

 

Vida DeMolay

Serqueira esteve presente, como lowton, na primeira Cerimônia de Iniciação ocorrida no Brasil, em 1980. Ele tinha 12 anos, e as regras do Supremo Conselho Internacional (ISC) fixavam a idade de 13 anos como mínima, de forma que ele não pôde estar entre os garotos da primeira turma. Os anos foram passando, e por trabalhar com o Supremo Conselho do Grau 33, acabou conhecendo e se tornando amigo pessoal de todos os DeMolays. “Foi em 1986 que o Mestre Conselheiro do Capítulo ‘Rio de Janeiro’ n.º 001, chegou para mim e me deu uma ficha, dizendo que era pra assinar, que o Tio Mansur havia autorizado. Segundo ele, no dia seguinte, sábado, haveria uma grande iniciação, com mais de 40 candidatos, dos três Capítulos [Rio de Janeiro, Guy d’Auvergnie e Grande Rio]. Entretanto, quando já estava na Cerimônia, e as luzes se acenderam, percebi que eu era o único iniciado”, relembra Marcelo, sobre o momento em que deixou de ser apenas um funcionário, e passou a ser nosso irmão de Ordem. Ele recebeu o Grau DeMolay durante a instalação do Capítulo “Juiz de Fora” n.º 033, em Minas Gerais. Na ocasião, a cerimônia do Grau foi composta por membros de todos os Capítulos cariocas, que viajaram para instalar o Capítulo mineiro.

 

Grande Secretário

A partir de setembro de 1992, Serqueira foi nomeado Grande Secretário Geral Adjunto, cargo que hoje foi extinto da Diretoria do SCODB. Naquela época, o Supremo Conselho tinha uma estrutura de cargos muito semelhante à dos Capítulos, havendo cargos correspondentes para todos os Oficiais capitulares, como Mordomos e Preceptores. Ele ocupou o cargo por dez anos, até 2002. Com o tempo, a responsabilidade de Marcelo foi aumentando, em proporção direta à sua reputação, que foi construída com esforço, afinco, comprometimento e acuidade. Atualmente, ele se coloca num ponto nevrálgico da estrutura do Supremo Conselho, com uma das mais importantes atribuições administrativas da organização.

 

Experiências mundo afora

Na instalação da Ordem da Cavalaria, em 1993, Marcelo foi investido ao lado de quase três centenas de Irmãos Servidores, vindos de todo o país, na primeira convocação do Convento “Sir Percival de Gales” n.º 001, que ocorreu no Templo Nobre do Supremo do Grau 33. Foi a primeira vez que uma reunião naquele templo foi presidida por um jovem, ladeado por nada menos do que quatro Soberanos Grandes Comendadores.

Ele esteve atuante em todo o processo de documentação para a fundação da Ordem das Filhas de Jó, auxiliando também nos preparativos para a primeira Sessão ocorrida no Brasil. Também ajudou com o trabalho do Tio Mansur para trazer a Ordem da Estrela do Oriente. “Tio Mansur acreditava que as ordens paramaçônicas poderiam vir para unir os maçons de todo o país”, explica. “Tinha um número grande de pedidos de fundação de Capítulos no mundo todo. Rússia, Romênia, França, Itália… E o engraçado é que era o Tio Mansur que realizava este trabalho diplomático, não o ISC. Viajava com a comitiva do Soberano Grande Comendador, e levava material sobre a Ordem DeMolay para divulgar. Tanto que ele foi convidado para a instalação o Capítulo Aruba, nas Antilhas holandesas, do Caribe, e muitos outros”.

Marcelo esteve presente em vários Congressos Internacionais da Ordem DeMolay, e pôde ver o SCODB sendo muito elogiado. Os dirigentes do ISC ficavam muito impressionados com o crescimento e expansão da Ordem no Brasil, a cada ano que passava. Durante um destes eventos, Tio Mansur soube de um episódio em que o presidente Bill Clinton recebeu os DeMolays das Filipinas. “Sendo assim, quando Clinton veio numa visita oficial ao Brasil, em 15 de outubro de 1997, foi feita uma faixa de boas vindas para ele, e combinou-se que dezenas de DeMolays o receberiam, esperando seu veículo passar pelo hotel, o Copacabana Palace”, rememora.

Contudo, apenas três garotos compareceram: Marcelo, João Alexandre e André Amorim. A faixa era imensa, dizia “Welcome Bill Clinton, Sênior DeMolay”. Do outro lado, havia uma multidão de manifestantes contrários à vinda do presidente americano, e os policiais tiveram de proteger os meninos, por conta do conflito ideológico. A limusine enfim, veio, e Clinton pareceu acenar para eles, de dentro do carro, mas não ficou claro se o presidente havia visto a faixa. Os policiais fizeram um cordão de isolamento, e a multidão se aproximou do hotel, acotovelando-se para tentar vislumbrar o político. Então, de súbito, um Delegado da Polícia Federal apareceu, e indicou para que os DeMolays fossem conduzidos hotel adentro.

Após várias revistas com os seguranças e policiais do FBI, os três foram admitidos à presença de Bill Clinton, que conversou com os meninos. “Ele nos contou como a Ordem foi importante na sua formação, disse que estava muito feliz por descobrir que ela estava presente no Brasil. Demos a ele um pin de presente, e um cartão do SCODB, e também fizemos uma fotografia”, conta ele. Algum tempo depois, Clinton trocou uma correspondência com o Tio Mansur, agradecendo a recepção dos DeMolays brasileiros.

Princípios

Para Marcelo, a maior contribuição da Ordem DeMolay é aquilo que o jovem consegue levar para sua vida diária, para o mundo de fora: “O que faz um DeMolay não é um cargo. Líderes aparecem naturalmente, porque eles são necessários para nossa hierarquia. Mas, de repente, um daqueles que é o mais quieto dentro do Capítulo, é o que mais se destaca na sociedade. O importante é estar preparado para a vida”, emendando que a Ordem, com sua estrutura e eventos, acaba sendo uma forma excelente de fazer amizades e rever amigos, logo enumerando dezenas de nomes de DeMolays e maçons de muitos lugares, de muitas épocas.

Serqueira conviveu com o Tio Mansur desde seu nascimento, pois sua mãe foi levada por ele para o hospital naquele dia. E esteve com o nosso eterno Grande Mestre até o dia derradeiro de sua partida, e além. Este contato tão próximo trouxe uma bagagem muito respeitável para ele: “Aprendi muito na Ordem DeMolay que precisamos ouvir, pensar, refletir muito antes de nos manifestar, de tomar atitudes, porque nossas ações sempre tem consequências”, ele exemplifica, a respeito do que levou para sua formação.

Uma vida devotada à Ordem fez de Serqueira um homem alinhado com nossos ideais. Segundo o próprio, ele não tem participado muito, mas com cinco minutos de conversa, logo se vê que é uma grande bobagem. O homem respira DeMolay.